quarta-feira, dezembro 13, 2006

Reflexões sobre a lei da pesca lúdica



Meus amigos, deixo aqui alguns dados sobre o valor da pesca desportiva:

  • Calcula-se que existam na Europa, cerca de 8 a 10 milhões de pescadores que praticam a pesca desportiva e de lazer no mar;
  • Associada está uma indústria que oscila entre os 8 e os 10 mil milhões de euros.

Fonte: Comissão Europeia

Não seria mais sensato apostar mais na pesca desportiva e limitar mais outros tipos de pesca que apenas destroem os recursos de forma indiscriminada? Numa altura em que os pescadores desportivos em Portugal são confrontados com legislação para regular a pesca lúdica altamente restritiva seria bom as nossas autoridades reflectirem um pouco melhor nas opções para este sector tendo em vista aproveitar as magnificas potencialidades da nossa costa ao invés de continuarem refens de interesses instalados.

Será que ninguem se questiona qual a razão que leva os pescadores desportivos a ficarem obrigados a cumprir limites quer de capturas quer até dos próprios locais onde pescam e nada se faça para impedir a chacina que acontece todos os anos ao longo da nossa costa com os chamados pescadores artesanais a encher as praias de redes e aparelhos e a impedir que o peixe possa desovar? Será que ninguem se questiona da justiça que é ter de pagar para pescar e ainda por cima subsidiar a actividade que mais prejudica os recursos da nossa costa?

Será que para além de todos os impostos que pagamos ainda teremos de dar mais um subsidio a tantos que se gabam de fazer grandes lances de robalos e sargos e que não respeitam nada nem ninguém, aplicando com grande gabarolice o lema de que o que apanharem hoje não fica para outro apanhar amanhã. Eles merecem ser apoiados, subsidiados pois contribuem para preservar as espécies. É fantástico isto.

Triste país o nosso!!!

terça-feira, dezembro 12, 2006

Luckycraft Flashminnow 130 MR


FLASHMINNOW 130 MR
Comprimento : 130 mm.
Peso : 20,0 grs.

A FLASHMINNOW "MR" é um "jerkbait" ligeiramente flutuante com um corpo fino e afilado, pretendendo aumentar a semelhança com um pequeno peixe. Esta amostra é dotada de um novo sistema exclusivo e melhorado de localização do seu centro de gravidade que permite longe em todas as condições, mesmo aquelas mais dificeis. Equipada com 2 anzóis VMC de mar mais grossos e mais fortes, com uma excelente qualidade de ferragem para aumentar as capturas.
Concebidas para evoluir a uma profundidade que vai de 60 cm a 1,5 m, são perfeitas para pesquisar zonas com obstáculos submersos.

São amostras fundamentais para todos aqueles que se iniciam no spinning de mar a partir da terra e mesmo de barco. Com provas dadas são valores certos em que podem apostar. Para começar apostem nas cores Aurora Black e American Shad.

http://www.luckycraft.fr/

quinta-feira, novembro 30, 2006

Fácil de Entender


Não podia deixar de colocar aqui o novo álbum dos The Gift, uma banda de Alcobaça, que faz parte das minhas paixões. Para sempre recordarei o concerto que tive oportunidade de assistir nas escadas do Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça. Magnífico! Tal como a pesca a música faz parte de mim e da minha vida e os The Gift ocupam um lugar muito especial neste pequeno cantinho que é o meu mundo.

quarta-feira, novembro 29, 2006

Duas vidas e o rio

Hoje deixo-vos esta sugestão para um excelente filme para ver nestes dias frios que se aproximam. As imagens de pesca à pluma são lindas, transportam-nos para outro mundo. Para os meus amigos da pesca à pluma o reconhecimento da arte que é essa técnica de pesca.



"Num local quase inatingido pelo tempo e numa era ainda abençoada pela inocência, um pai e os seus dois filhos esforçam-se por compreender as mudanças de relacionamento entre si. O reverendo e chefe de família Maclean (Tom Skerrit) é um homem severo, moldado pelos tempos difíceis numa terra na maioria ainda bravia. Norman (Craig Sheffer), o filho mais velho, é sério e estudioso, enquanto Paul (Brad Pitt) é um rebelde, irreverente e viciado em jogo e mulheres bonitas. São diferentes mas ambos dedicados, e especialmente no que toca ao rio Big Blackfoot estão em perfeita sintonia, ligados por uma paixão pela pesca à linha, uma arte amena e quase mística, que pouco a pouco começa a denunciar os seus medos e esperanças. Passado numa vila do Montana no limiar do seculo XX, DUAS VIDAS E UM RIO, é um filme cativante e encantador, realizado por dos maiores vultos do cinema americano, Robert Redford. "


segunda-feira, novembro 27, 2006

Robalos em Moledo

Robalos de grande porte atraem dezenas de pescadores a Moledo

Contam-se às dezenas os pescadores desportivos que, dia e noite, de cana na mão, aguardam pacientemente, na praia de Moledo, que um robalo dê o "toque" característico na linha, sinal de que picou. Este Novembro tem sido particularmente fértil em exemplares de tamanho avantajado, com pesos a variar entre os cinco e oito quilos, fazendo as delícias dos pescadores amadores, muitos deles provenientes de vários pontos do Minho ou do Porto.


"Paciência e sorte", é como Artur Escusa define esta arte da pesca à linha, cujo maior exemplar por si colhido nos últimos dias pesava 8,6 kg. A paixão por este hobby é tal que, "se não venho à pesca fico doente", desabafa o pescador natural de Venade.Há 70 anos à pescaUm dos veteranos da pesca do robalo nos penedos e praia de Moledo é um arquitecto reformado de 77 anos, Horácio Silva, que desde os sete anos calcorreia e conhece toda a zona costeira como a palma das mãos e não hesita em considerar o "Penedo Vermelho, com bons lagos, boas entradas para o peixe se aproximar e muita profundidade", como o local ideal para as suas pescarias. A forma como se lida no mar com exemplares de peso acrescido, tem o seu saber.


"Uma vez, um robalo com mais de cinco quilos picou junto ao Penedo das Freiras e vim tirá-lo de água em frente à Ínsua, a mais de três quilómetros de distância. Estava tão cansado que se me pusessem uma mão na boca abafava".As opiniões sobre este surto de robalos na costa moledense dividem-se.


Horácio Silva garante que estes robalos "não são de cá", sendo provenientes da costa galega, onde "há defeso, o arrasto está controlado e os peixes crescem", o que não sucede no nosso mar, pois os pescadores profissionais apanham-nos durante todo o ano. Há quem, ainda defenda que "fogem" do fuel do Prestige ou são atraídos pela anormal alta temperatura da água.


Referiu que a espécie "gosta do mar mexido" e vem até junto à praia na preia-mar e aí fica "dando massagens na areia para preparar a desova", além de constituir um atractivo para o robalo, a entrada de meixão no rio Minho nesta época, que serve de pasto, pese embora a escassez de capturas destes alevins da enguia, na primeira lua (Novembro) da safra que se prolonga até Abril, assinale-se.


Dicas para apanhar robalos: Linha de 40 m/m que aguenta exemplares até 16 quilos, chumbos de 125 gramas e isco variada, indo desde as pequenas lulas colhidas no arrasto do camarão, casulo (um pouco caro, tal coma as lulas vendidas no mercado de Caminha a 12 euros o quilo, face à crescente procura por parte dos pescadores), mexilhão da Ínsua, caranguejo .


A fugir do fuel do "Prestige"?

As fugas de fuel que o "Prestige" está a registar nos últimos tempos poderá também acarretar deslocações do peixe para sul, fugindo à poluição, o mesmo sucedendo com o que se encontrava no interior das rias galegas, escapando às enxurradas de lamas provenientes dos montes circundantes, devido aos incêndios do passado Verão que desertificaram os solos, opinião também corroborada por João Baixinho, um pescador desportivo de Caminha.Temperatura da água alta para a época"


A temperatura das águas tem sido elevada, na casa dos 20 graus -até apetece tomar banho, adianta - e quando assim é, as espécies maiores têm de vir até junto da rebentação, a fim de se oxigenarem", afirma João Baixinho.


Fonte: JN, 27 de Novembro de 2006

sexta-feira, novembro 24, 2006

A minha "Maria"



A Angel Kiss 140 da Maria é um minnow flutuante, que atinge uma profundidade à volta de 60 cm. Com um corpo bastante longídineo, está dotada do sistema Weight Moving, que permite lançamentos bastante longos e pesquizar zonas mais afastadas da borda. É uma amostra incontornável para spinnar a partir da costa. Irresistivel para os robalos, não fosse ela uma boa "Maria".

quinta-feira, novembro 23, 2006

Um pequeno desabafo

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos

E por vezes encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos.


David Mourão Ferreira

terça-feira, novembro 21, 2006

Coisas sobre robalos

Queria deixar aqui para reflexão alguns dados sobre a evolução dos robalos para que possamos reflectir um pouco melhor sobre o valor do peixe que pescamos e do respeito que devemos ter por ele.
  1. Um robalo com 5.1 kg mede habitualmente 78 cm, podendo verificar-se uma oscilação de 10 cm para cima ou para baixo consoante o robalo esteja magro ou não e tem mais de 18 anos.
  2. Um robalo de 1.3 kg e 50 cm tem 7 anos e meio se fôr macho e 6 anos e meio se fôr uma fêmea. Este robalo macho teve oportunidade de procriar 4 vezes e a fêmea de fazer 3 posturas que têm uma taxa de eficácia de apenas 2 juvenis.
  3. Um robalo macho está apto a procriar pela primeira vez com 4 anos e meio, altura em que atinge cerca de 36 cm. Ao invés, uma fêmea apenas tem a primeira postura quando atinge os 5 anos e cerca de 42 cm.
Fonte: www.pecheaubar.com

sábado, novembro 18, 2006

Momentos

Porque na pesca existem momentos excepcionais, de uma beleza unica, deixo-vos aqui um pequeno apanhado desses momentos "zen" que nos revigoram e fazem querer voltar mesmo quando apanhamos nada.




1. Um fim de tarde a corricar na praia da Légua numa coroa a cerca de 50 m da costa









2. Um pôr do sol visto do molhe sul da Nazaré







3. Um fabuloso arco-iris no Vale Furado. Foi um momento fantástico que eu e o Mário pudemos testemunhar. Partilho-o agora.






sexta-feira, novembro 17, 2006

O Velho e o Mar



Hoje quero partilhar convosco um dos meus livros preferidos. Escrito por Ernest Hemingway em 1952, o Velho e o Mar, é uma história impar sobre a tenacidade e a persistência e da luta por um objectivo. A história do "velho Santiago" é uma história onde o elemento central é a luta entre o homem e o mar e através de uma história de pesca nos consegue transmitir uma lúcida e clara lição de vida.


Desafiado pelos pescadores mais jovens, o velho Santiago sai ao mar aberto de Havana, em Cuba, para provar aos companheiros que ainda pode fazer pescarias bem sucedidas. Com mais de 84 dias sem ferrar peixe algum, ele sente-se obrigado a provar aos outros que ainda é vigoroso na profissão. Lança-se aos perigos do mar. Com pouca água para beber, alimenta-se de golfinhos e peixes voadores. Luta com os tubarões, o sol forte que vincara sua pele durante a vida inteira e a solidão do mar. Fingindo que conversa com alguém, fala em voz alta factos do passado. Espera que um peixe grande fisgue o anzol atraído pela isca que ganhara do garoto Manolín, aprendiz e companheiro da pesca, que abandonara o velho por exigência da família. Obrigado a acompanhar pescadores com mais sorte, Manolín teve de abdicar do saber de Santiago.

A vida inteira o velho esteve no mar, empreendendo lutas e saindo-se vitorioso. Conhecer as marés, as mudanças climáticas, a localização dos cardumes e o comportamento dos peixes havia dado a Santiago um passado de vitórias. No entanto, faz contraponto ao seu esforço a vida de privações do pescador. Mora num casebre e dorme sobre uma cama que não passa de jornais velhos amontados e ressequidos. O que teria levado o pescador a essa situação? O mar teria sido traiçoeiro com ele, impedindo que dele tirasse riqueza suficiente para que pudesse sobreviver? A ganância dos homens teria abusado dos recursos do mar, devastando seu próprio sustento? O velho e o mar não dá respostas a essas perguntas, mas esclarece a essência da vida do pescador e da pesca. É preciso conhecimento, mas também é preciso sorte. Há tempos em que a produção é baixa e o sofrimento do trabalho raras vezes é recompensado materialmente. Há aqueles favorecidos que, em épocas de excelente pescaria de determinada espécie, conseguem comprar sua própria embarcação e apetrechos modernos. Porém, a maioria não possui meios próprios de trabalho, faz as pescarias em barcos de terceiros e fica a mercê dos preços oferecidos pelos atravessadores. "A vela fora remendada em vários pontos com velhos sacos de farinha e, assim enrolada, parecia a bandeira de uma derrota permanente", conta o início da narrativa.

Assim como todas as outras personagens criadas pelo escritor, Santiago também se defronta com a "evidência trágica" do fim. Após passar vários dias em alto mar em seu pequeno barco a vela, ele enfim consegue capturar o maior peixe que já havia visto na vida, com mais de 5 metros de comprimento. São dias e noites de luta, tentando vencer a força e a resistência do peixe, ficando quase cego diante do sol forte e sem o movimento de uma das mãos, já cortadas em razão da força com que segurava o animal pela linha. Depois de amarrá-lo no barco, ele é perseguido por vários tubarões até próximo à costa. Ele consegue livrar-se de todos, mas a todo o momento corre o risco de ser morto. O pescador chega exaurido à praia com apenas o esqueleto do peixe que havia capturado. Os outros pescadores medem o comprimento do que restou do peixe e Santiago passa a ser admirado por todos. Mais do que a luta com o peixe, o que Santiago empreende no mar é a luta consigo. Paciência diante de dificuldades quase intransponíveis, sabedoria e persistência são elementos que lhe garantem sobrevivência diante do trágico.
Embora tenha conseguido provar aos outros sua capacidade como bom pescador, o velho tem a visão nítida de como é sua vida. Luta infindável que, apesar das vitórias, garantindo-lhe a sobrevivência, relega a ele a dor e a busca eterna de uma vida melhor.
Reminiscências do escritor:
"Tudo o que nele existia era velho, com exceção dos olhos, que eram da cor do mar, alegres e indomáveis", assim é descrito Santiago. Alguns críticos de literatura contam que o personagem Santiago foi, na realidade, Gregorio Fuentes, que fora capitão do barco de Hemingway durante os 30 anos que o escritor viveu em Cuba. Conheceram-se em 1928 e, dois anos depois, Hemingway contratou o pescador para ser cozinheiro e capitão do seu barco "Pilar". Antes de regressar aos Estados Unidos, em 1960, o escritor teria dito ao amigo: "toma conta de ti, como sempre soubeste fazer".
Visto como atração turística em Cuba após o lançamento do livro, Fuentes decidiu doar o barco ao governo cubano após o suicídio do escritor, em 1961. Ele está exposto em frente à casa onde Hemingway viveu, perto de Havana.
Dois anos após a publicação desse livro, que se tornou um clássico da literatura contemporânea, Hemingway recebeu o prêmio Nobel de Literatura.

terça-feira, novembro 14, 2006

O fundo do mar

Hoje fui à pesca e não apanhei nada, por isso deixo-vos um pequeno poema sobre o fundo do mar e as criaturas que nele vivem.

Fundo do mar

No fundo do mar há brancos pavores,
Onde as plantas são animais
E os animais são flores.
Mundo silencioso que não atinge
A agitação das ondas.
Abrem-se rindo conchas redondas,
Baloiça o cavalo-marinho.
Um polvo avança
No desalinho
Dos seus mil braços,
Uma flor dança,
Sem ruído vibram os espaços.
Sobre a areia o tempo poisa
Leve como um lenço.
Mas por mais bela que seja cada coisa
Tem um monstro em si suspenso.
Sophia de Mello Breyner
Obra Poética
ICaminho

quarta-feira, novembro 08, 2006

e ainda dizem que tenho um pé grande


Para comprovar que não tenho um pé assim tão grande aproveitei a bota para dar a ideia de dimensão deste robalo que apanhei de noite com pingalim vermelho e boia de água.

A eficácia das amostras


Impressionante a capacidade de atração desta amostra do meu amigo Mário. Apanhou um pregado mais pequeno que ela. Puro instinto predador do peixe!!!

Ainda existem noites de sonho


Diz um amigo meu que o melhor da pesca é o Sonho. O sonho de apanhar a qualquer momento o peixe da nossa vida ou de encontrar o cardume de robalos que nos fará recordar para sempre aquela ida à pesca. Esta foi a minha noite de sonho que tive o privilégio de partilhar com um grande pescador, o Diogo. Por esta noite e por momentos iguais aos que passei continuo a acreditar que é possível e que a persistência acabará por compensar.

terça-feira, novembro 07, 2006

Quarto Poema do Pescador

Sei agora que Deus rola nas ondas
vem na última onda ei-lo na espuma
é reflexo brilho incadescência.
Se vou à pesca é para o procurar
se lanço a linha é para ver se o pesco
quando pesco um robalo eu pesco Deus
e é com ele que falo em frente ao mar
ele é o seixo a alga o vento leste
a nuvem que lentamente cobre a lua
ele é a minha dispersão e a minha comunhão
o fragmento da estrelan que se vê ainda
a tainha que salta
ele é o grão de areia e a imensidão da noite
o finito e o infinito
vai na corrente corre-me no sangue
não sei que nome dar-lhe
digo Deus
ele é o laço que me prende e me desprende
o que palpita em mim e o que em mim morre
vem na sétima onda e bate no meu pulso
ele é o aqui o agora o nunca mais
a morte que está dentro
rola na onda
bate na sétima costela do meu corpo
chamo-lhe Deus porque ele é o tudo e é o nada
eternidade que não dura sequer o eu dizê-la
ei-lo na espuma na lua no reflexo
de repente um esticão a cana curva-se
é talvêz um robalo de seis quilos
isto é a pesca
o meu falar com Deus ou com ninguem
sozinho frente ao mar.
Ele é o vento a noite a solidão
o robalo que luta contra a morte
e é a minha ligação magnética com Deus
esse umbigo do mundo
que rola sobre as ondas e cai do firmamento
com sua espuma e sua luz e sua noite
chamo-lhe Deus porque não sei como o chamar
ao meu ser e não ser
de noite junto ao mar
quando regulo a amostra e sua fluorescência
pescando robalos
ou talvêz Deus
e sua ausência.

Manuel Alegre, Senhora das Tempestades

segunda-feira, novembro 06, 2006

Algumas perguntas sobre corrico...

Deixo aqui algumas perguntas que me costumam fazer sobre esta técnica de pesca tão fabulosa como é o corrico.

Como escolher um pesqueiro para corricar?
A escolha do pesqueiro depende de um conjunto de determinados factores que quando se conjugam podem permitir algumas pescas de grande sucesso. Temos assim que perceber que o robalo é um predador portanto irá estar onde estiver o alimento. Logo um dos locais mais procurados por ele são as saídas de rios ou lagoas que permitem que a comedia entre mar dentro. Também as coroas são locais onde abunda o alimento e onde por consequência estão os nossos robalos. Uma correcta observação do mar para entender o movimento das areias e perceber se as coroas são novas (situação ideal) ou não pode render bons resultados. Outros dos locais onde os podemos procurar com sucesso são os caneiros, ou seja, passagens em zonas de rochas onde os robalos caçam e esperam pela comida que lhes é trazida pela corrente. A aposta deve ser feita nestas zonas mesmo sabendo que podemos perder algum material pois os resultados irão certamente compensar em algumas ocasiões. Depois de muitas horas a percorrer o nosso litoral na busca dos robalos irão começar a perceber que existem zonas tradicionais que geralmente contam com a presença dos robalos e será a prática a permitir intuir quando eles lá estão.

Quais as melhores horas para lançar as nossas amostras?
Se perguntarmos a um pescador de corrico quais as melhores horas para corricar a resposta irá certamente no sentido de que os melhores momentos ocorrem ao nascer e por do sol. Qual a razão para isso? A resposta é simples. Os robalos aproveitam essas alturas para caçar tirando partido da menor luz existente, mesmo sabendo que nesses momentos perdem cerca de 75% da sua visão. A sua vantagem é que os outros peixes também perdem capacidade visual e ficam mais vulneráveis. É isso também que os leva a ficar menos desconfiados em relação às nossas amostras, pois perante a incapacidade de conseguirem ver com nitidez aquilo que se passeia à sua frente geralmente optam por as atacar. A verdade é que já apanhamos robalos quase a todas as horas e isso leva-nos a dizer que não existem regras definidas. Mais uma vez a experiência faz o pescador e a diferença faz-se pela sua capacidade de conseguir entender o mar e os peixes e antever a que horas ele estará mais disponível. A única verdade que temos aprendido ao longo de todos estes anos a corricar é que quem não vai à pesca não apanha peixe e as melhores horas são geralmente aquelas menos procuradas pela maior parte dos pescadores. Os melhores corricadores são sempre os mais persistentes e dedicados. Aqueles que podem passar uma noite toda a fazer lançamentos para numa meia hora final fazerem a sua pesca mesmo depois de todos os outros terem desistido.

Que cana e carreto?
Aqui a resposta é simples: a cana e o carreto dependem da disponibilidade financeira de cada um. É certo que existem melhores equipamentos que outros mas a diferença está 99% das vezes no pescador e não no material. As canas devem ser leves, entre os 3.90 e os 4.5 m, com capacidade para lançar até 120 g. Aconselhamos os 4.20 m pois é o comprimento mais equilibrado e que irá, na maioria dos casos, ao encontro das necessidades dos nossos pescadores.
Existem muitas e boas canas no nosso mercado destinadas ao corrico e buldo que permitem uma escolha adequada a todas as bolsas. Com cerca de 120 € é hoje possível comprar equipamento de grande qualidade e excelentes desempenho.
Os carretos devem ser resistentes pois serão sujeitos a um desgaste enorme devido às recuperações constantes e a regra é de que não comprometam o desempenho da cana. Existe actualmente uma grande tendência para utilizar no corrico os carretos de surfcasting, em muitos casos demasiados pesados para o corrico. Continuamos a pensar que os carretos ideais não têm de ser necessariamente muito grandes, basta que tenham capacidade para armazenar cerca de 250 m de 0.30 e fundamentalmente que tenham uma boa embraiagem.

Que amostras e quais as melhores cores?
Mais uma vez, para dar resposta a esta pergunta temos de dizer que não existem regras definidas à priori. No fundo são melhores aquelas que permitem apanhar peixe! E isso varia de dia para dia e de pesqueiro para pesqueiro. A amostra que tantos robalos permitiu apanhar hoje pode amanhã perder toda a sua eficácia. Todavia existem alguns princípios que podemos definir. As amostras mais utilizadas em Portugal neste tipo de pesca são sem qualquer dúvida as de borracha flexível que têm por função imitar um pequeno peixe ou enguia. Estão nessa categoria as Raglou, Red Gill ou Eddystone e os tradicionais pingalins ou mangueiras. Quanto aos tamanhos temos por experiência que amostras maiores produzem resultados também maiores. Geralmente nunca pescamos abaixo dos Raglou 8.5 sendo que a medida mais utilizada neste tipo de amostras é o 10.5 e nos pingalins gostamos de usar os maiores, com 12.5 cm.
No que diz respeito às cores de amostras a utilizar podemos dizer que elas dependem fundamentalmente de dois factores. Da existência ou não de luz e da própria cor das águas em que pescamos. Assim, podemos dizer como princípio geral que para águas claras e dias abertos devemos usar também amostras de cores claras, como é o caso das verdes ou azuis. Para condições de pouca luz ou águas tapadas devemos usar amostras de cores mais fortes ou opacas. Geralmente usamos de noite o preto e os resultados não tem sido maus, só para dar um exemplo.

Qual o fio: mono ou multifilamento?
A tendência de cada vez um maior número de pescadores nesta modalidade é para a utilização dos multifilamentos que possuem algumas vantagens em relação aos tradicionais nylons. Desde logo, a sua grande resistência que permite a utilização de diâmetros muito reduzidos o que tem consequências evidentes ao nível do lançamento, conseguindo-se atingir distâncias mais longas. É comum usar-se diâmetros entre os 0.06 e os 0.10 sem qualquer problema de ruptura. A utilização destas linhas pressupõe alguma habituação ou treino como lhe queiram chamar e exige um determinado cuidado do pescador, especialmente durante a recuperação, para evitar os enleios. Quem pesca com multifilamento acaba por utilizar um “chicote” ou seja um terminal em nylon que tem por função absorver a energia das investidas das nossas presas, contrariando o efeito de quase nula elasticidade dos multifilamentos e também evitar rupturas pelo roçar nas pedras.
Os monofilamentos continuam a ser os mais procurados para este tipo de pesca e aconselhamos que equipem os vossos carretos com 0.35 se pescarem na areia ou 0.40 se pescarem na pedra.

Que diâmetro utilizar nos estralhos e qual o comprimento ideal?
Quanto ao diâmetro dos estralhos existe uma regra simples. Quanto mais fina for a linha melhor trabalha a amostra mas o risco de enleios e rupturas aumenta na mesma proporção. Dessa forma, temos de encontrar diâmetros equilibrados que permitam trabalhar o peixe com alguma segurança sem prejudicar o trabalho da amostra. Temos vindo a utilizar para praias essencialmente de areia estralhos entre o 0.28 e o 0.35, jogando depois com a embraiagem perante os peixes maiores. Para zonas de caneiros e rochas temos optado por estralhos na casa dos 0.40 e em alguns casos extremos 0.45. Quanto ao comprimento pensamos que quanto maior melhor pois isso sempre melhorar o comportamento da nossa amostra tornando-a mais natural. O problema é que temos de compatibilizar esse comprimento com o da cana que utilizamos, ou seja, se estamos a pescar com uma cana de 3.90 m torna-se complicado pescar com estralhos de 5 m, especialmente se estamos dentro de água ou nas pedras. É por isso que em algumas situações optamos por canas de 4.5 m que permitem lançar bem estralhos grandes. Como tal a regra será a de utilizar os estralhos à medida da cana. Existem por vezes situações em que podemos ir encurtando o tamanho dos estralhos se verificarmos que não temos toques com os mais compridos. Como sempre no corrico, é uma questão de irmos experimentando até acertar.

Chumbada ou bóia de água?
O princípio aqui é utilizar as bóias de água durante os meses mais quentes e as chumbadas durante o Inverno. Esta é a regra base podemos assim dizer. Só que mais uma vez isto não é infalível. A bóia de água serve essencialmente para procurar o peixe à superfície ou a meia água sendo indicada para aquelas alturas em que o robalo caça à superfície a petinga. Usamo-las também quando estamos a pescar em pesqueiros com pedras e evitamos dessa forma estar sempre a perder material ao ficar presos nas rochas. As bóias devem ser cheias com água e/ou com pequenos chumbos que terão uma dupla função. Fazer peso e produzir ruído que atrairá os robalos, quanto mais não seja por irritação ou curiosidade. Aconselhamos o uso das bóias de água ovais, pois lançam melhor e ao produzir menos atrito no ar evitam também os enleios.
A utilização das chumbadas, entre as 60 e as 90 g na maior parte dos casos, faz-se em condições de mar mais duro em que a bóia de água não trabalha eficazmente ou quando pretendemos que as nossas amostras trabalhem mais fundo procurando os robalos entocados. Não são raras as vezes em que estando a pescar com bóia de agua não sentimos qualquer toque e mudando para a chumbada começam a surgir os toques, ou vice-versa. Em zonas de pedras a utilização de chumbada leva a maiores perdas de material, devendo-se optar por chumbadas em forma de pêra que não só lançam mais como prendem menos. Custa sempre perder material mas por vezes é o que temos de suportar para levar para casa os maiores exemplares.

Praia da Légua






A praia da Légua, situada no concelho de Alcobaça, é um dos melhores destinos desta costa para a prática da pesca desportiva. Os seus fundos são diversificados, com zonas de rochas, intercaladas com fundos de areia e alguns fundões. Para além disso alia às possibilidades de pesca a enorme vantagem de permitir levar a família para desfrutar de um excelente dia à beira-mar.


Situada a cerca de 10 km a Norte da Nazaré, a praia da Légua caracteriza-se pelo seu extenso areal de areias limpas, entrecortado por algumas rochas quer a sul quer a norte da entrada principal da praia. É uma praia muito procurada pelos pescadores desportivos da zona, especialmente os que se dedicam ao corrico e que elegem esta praia como uma das suas preferidas. A formação de coroas novas é aqui uma constante e é frequente conseguir-se boas capturas de robalos à amostra ou até ao fundo. Os fundos de pedra, a Norte, propiciam um conjunto de caneiros fantásticos para a entrada do robalo que procura nos buracos cabozes ou polvos. Uma boa observação desses locais na maré vazia é fundamental para encontrar os melhores pesqueiros. Aqui pode também apanhar-se teagem, talvez o melhor isco que podemos depois utilizar na pesca, polvos e até percebes e mexilhão nas marés de lua. Para quem queira aventurar-se na vazante a corricar nas coroas de areia que se formam é aconselhável o uso de fato de mergulho ou uns wadders de neoprene. Para as crianças forma umas “piscinas” nas horas da vazante permitindo momentos de grande diversão para os pequenos e também para os graúdos. Uma última palavra para os fins de tarde passados a petiscar no restaurante do “Ti Abílio” com o por do sol e o mar ao fundo. Absolutamente imperdivel!!!




À pesca
A Légua é uma praia procurada essencialmente pelos adeptos do corrico e surfcasting, sendo normal encontrar sempre um número razoável de pescadores. Para a pesca ao fundo aconselha-se a utilização de canas de 4.5 m, resistentes e com boa capacidade de lançamento. A Légua costuma ter correntes laterais, especialmente nos pesqueiros a Sul do parque de estacionamento e como tal torna-se necessário por vezes usar chumbadas mais pesadas. A observação destas correntes permite-nos descortinar onde tendencialmente o peixe estará à espera da comida. Para corricar aconselha-se canas leves, entre os 3.90 e os 4.20 que permitam andar pelo areal sem cansarem demasiado o pescador. Geralmente pesca-se à chumbadinha ou à bóia de água com pingalim ou raglou. As cores típicas desta praia são o verde claro e o vermelho para a noite.
As espécies mais frequentes são os robalos e os sargos, sendo possível, através da persistência e da observação da praia, conseguir excelentes capturas.

A caminho
Os acessos a esta praia são muito bons e de fácil identificação. O acesso mais fácil tanto de norte como de sul é a auto-estrada A8, saindo-se em direcção à Nazaré. Depois basta apanhar a estrada Atlântica, que liga a Nazaré à belíssima São Pedro de Moel e ir junto ao mar e entre o pinhal de Leiria até encontrar a indicação para a Légua. Refira-se também que a Légua é apenas uma das muitas praias a explorar nesta zona da costa portuguesa, sendo uma excelente zona de férias para quem gosta da natureza e do mar.

sexta-feira, novembro 03, 2006

Segundo Poema do Pescador

Pescando robalos no meio do canal
a lua de quarto deslocando-se lentamente
as areias cintilantes e as estrelas
cadentes que brilham de seu próprio apagamento
respiro o iodo o sal o vento
o cheiro da salsugem e penso que tudo não é senão o que já não é
e que o momento em que isto digo
é já outro momento

Por isso quando vou à pesca eu não vou só à pesca
procuro o peixe e o sentido ou talvêz a ausência dele
toda a minha atenção se fixa e se concentra
há um robalo que não há e que só eu pressinto
não é ciência nem técnica é algo mais
de pé no meio do canal
lançando e recolhendo a linha
como quem escreve sobre as águas
a mesma pergunta interminavelmente
enquanto caem estrelas e as palavras
como elas fulguram em seu arder.

Manuel Alegre, Senhora das Tempestades

Equipamento


Tenho de confessar: este é o meu equipamento preferido. A MABA 450 e o Tica Taurus TP 6000. Fabulosa a lançar e a trabalhar o peixe, a Maba é uma vencedora. Fantástica para pescar dentro de água e nas pedras para levantar a amostra do chão, mesmo com estralhos longos. O Taurus e eu temos uma relação especial...tem sido com ele que tenho tirado os meus melhores exemplares. Impressionante em termos de força e lançamento e sensacional na cadência de recuperação. É aí que nos entendemos às mil maravilhas.

Um amigo da pesca e não só


Aqui o meu amigo Mário, um bom companheiro de pesca e um excelente amigo. Grandes momentos que temos tido. Devo ao Mário o meu início mais a sério nas lides do corrico e não esqueço o primeiro dia em que fomos corricar a sério e tirei o meu primeiro robalo de bom porte. Um exemplar de 3.5 kg pescado na Polvoeira numa tarde chuvosa de um Domingo em final de Verão. Faz alguns anos mas é um momento que não esquecerei. Desde aí temos passado muitas horas juntos e até nos consideramos uma dupla de enorme sucesso, no que diz respeito a grades diga-se!!!

Uma costa robaleira

Deixo aqui esta foto de parte da costa a Norte da Nazaré onde costumo procurar os robalos. Tem características fantásticas para esta pesca como podem comprovar.

Um dos meus "cantinhos" preferidos


Todos nós temos os nossos "cantinhos" preferidos e eu tenho um grande carinho por este. Tem-me dado grandes alegrias e momentos de muita adrenalina e algumas histórias para contar que virão a seu tempo.

quinta-feira, novembro 02, 2006

A paixão da pesca ao robalo


Um fim de tarde, uma cana de spinning, uma amostra e o sonho de ferrar um robalo... é isto que explica esta paixão que nos move e nos impele a percorrer as praias, vezes sem conta, numa comunhão perfeita com a natureza. É a paixão da pesca levada ao extremo!