terça-feira, janeiro 30, 2007

Animação de Amostras

A animação das amostras é uma fórmula que nos permite ultrapassar a pouca actividade predadora dos peixes, já que quando caçam e andam com fome, parece ser claro que atacam sem grandes problemas as amostras apenas com recuperações lineares. De facto quando não terão fome, os predadores atacam essencialmente por duas razões. A primeira está directamente relacionada com o seu próprio código genético que os impele a eliminar quase de forma sistemática todos os elementos da cadeia alimentar que estejam feridos, doentes ou fracos, é a própria “lei dos mais fortes” ou da selecção natural das espécies tal como foi defendido por Darwin. A segunda razão tem também a ver com esse código genético e está ligada a factores de irascibilidade. Daí que muitas vezes se comece por utilizar amostras grandes e ruidosas que produzem excitação e irritação entre as grandes presas ultrapassando os comportamentos apáticos que muitas vezes parecem ter perante as nossas amostras.

Se aceitarem um conselho, que nos foi transmitido por um amigo recente que leva muitos anos de spinning e muitos robalos apanhados, quando começamos a pescar devemos optar por recuperações regulares e rápidas para ver se o peixe ataca assim e se isso não acontecer isso diminuindo a velocidade e introduzindo algumas animações, se estiverem a pescar com long minnows ou jerkbaits. Se pescarem com amostras de superfície, comecem por um walking the dog simples e depois se não tiverem resultados vão alterando a cadência e a amplitude dos movimentos.

Qualquer animação deverá ter sempre em conta a perfeição dos movimentos realizados pela amostra, tanto ao de cima como debaixo de água e o aspecto natural que ela deve ter antes e depois da animação. Para isso nunca nos devemos esquecer que ela irá reagir ao que nós pescadores fazemos e, como tal, cabe-nos a nós adaptarmo-nos a esse comportamento. Uma regra clássica é que quanto mais uma amostra é por nós utilizada melhor acabará por ser compreendida e explorada.

Twitching

Esta é uma animação bastante ritmada que se traduz numa recuperação bastante rápida e nervosa. Utiliza-se com amostras afundantes, permitindo pesquisar sectores com alguma profundidade e flutuantes, para zonas com menos água. Esta técnica consiste em dar pequenos toques de cana, nervosos e sem intervalos. De vez em quando pudemos também intercalar com pequenas paragens, que irão permitir que a amostra afunde ou retorne à superfície. Os toques de cana destinam-se a levar as amostras a voltarem-se e mostrarem os flancos aos predadores, geralmente com cores que lançam flashs bastante visíveis dentro de água e que funcionarão como teasers. Quanto mais enérgicos forem esses toques de cana melhor se produzirá esta animação.

Popping

Esta animação aplica-se a todos os tipos de poppers dotados de uma cavidade bocal pronunciada e que não são dotados de esferas internas para produzir ruídos e vibrações. Os barulhos provocados por este “agitar”da água têm o fim de excitar os predadores que acabam por atacar para pôr fim a esse barulho irritante que os incomoda. Esta técnica tem a capacidade de atrair os robalos a longas distâncias devido aos ruídos e agitação que produz. Consegue-se este efeito geralmente com pequenos toques de cana, de lado ou para baixo.

Stop and Go



Esta é certamente uma das mais fáceis, utilizadas e antigas formas de trabalhar uma amostra. No fundo, acaba por ser uma forma de quase “não trabalhar” a amostra e mostra-se muitas vezes como uma fórmula muito eficaz para ultrapassar a desconfiança ou desinteresse dos predadores pelas nossas amostras. É uma técnica que pode ser utilizada com todos os tipos de amostras de superfície e afundantes. Esta animação pretende imitar uma pequena vitima hesitante tornando-se dessa forma um alvo preferencial para um robalo a caçar. Estas paragens e arranques não devem ser demasiados longos nem demasiados curtos ou repetitivos. Nunca nos devemos esquecer que os peixes não são máquinas e não têm como tal movimentos mecânicos. São imprevisiveis e é nisso que temos de apostar para ter sucesso. É na altura da retoma de movimento que geralmente se produzem os ataques.

Long Slide

Esta técnica é, no fundo, um alongamento do Walking the dog com movimentos laterais mais amplos, sendo durante muito tempo utilizada em conjugação com o walking the dog. É muito utilizada para os pencils e stickbaits. A melhor forma de ilustrar esta animação é imaginar os movimentos feitos pelos patinadores no gelo, que movendo cada pé vão ganhando velocidade e deixando uma marca perfeitamente visivel no gelo. Esse movimento pretende imitar um pequeno peixe desorientado que procura encontrar algum abrigo. Este movimento pode ser simplicado com simples esticões alternados para a esquerda e para a direita.

Walking the Dog

Esta forma de animação ganhou especial divulgação após o surgimento das amostras mais modernas tipo stick bait, como é o caso das Sammy da Luckycraft ou as Super Spook, que se mostram capazes de evoluir na superfície da água fazendo uns ziguezagues fatalmente atrativos para os robalos e outros predadores,na medida em que imitam quase na perfeição um pequeno peixe ferido ou em dificuldades.

São amostras que dependem exclusivamente da animação que lhes é dada pelo pescador através de toques de punho. Não basta apenas recuperar normalmente a linha, temos de manter viva a nossa amostra. Esta necessidade de dar vida à amostra veio revolucionar completamente a mentalidade dos pescadores abrindo novos horizontes no spinning de mar.

Esta animação consegue-se então com o encadeamento de pequenos toques de cana, ligeiros mas progressivos de forma a libertar o fio após cada puxão. A dificuldade da animação walking the dog está em conseguir sincronizar a recuperação com o avanço das amostras, conseguindo-se isso após muitas horas de treino e muitos lançamentos efectuados. Como foi dito atrás, esta é uma animação essencialmente de superfície, mas que pode ser utilizada também, com sucesso, em amostras que evoluam a maior profundidade. Tudo depende da forma como manipulamos a cana durante a recuperação. Se tivermos a cana mais alta a amostra irá trabalhar à superficie, se a tivermos mais baixa a amostra terá tendência a trabalhar numa camada mesmo abaixo da superfície.

Uma das grandes vantagens desta animação e da utilização de amostras de superfície é a violência e força dos ataques dos predadores, compensando em adrenalina toda a dificuldade que possamos ter ao início para a aprender. É uma técnica que se pratica à vista e como tal permite seguir os ataques dos robalos.

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Irlanda, um exemplo a seguir

Num momento em que se fala tanto em Portugal, entre a comunidade dos pescadores lúdicos, da nova regulamentação, convinha olhar para o que se passa noutros países sobre esta matéria, para podermos aprender um pouco mais e fazer uma legislação que não só defenda os recursos e a pesca como também beneficie o país.
Um dos países europeus mais avançados nesta área é a Irlanda, bastanto a consulta ao site da Fisheries Central Board para perceber a distância que ainda temos de percorrer. No que diz respeito ao nosso Dicentrarchus Labrax, a Irlanda tem um longo caminho de preservação e defesa da espécie (cerca de 10 anos) e actualmente a sua pesca tem de respeitar os seguintes pontos:


  • Em cada 24 horas cada pescador apenas poderá ficar com dois peixes;
  • O tamanho mínimo de captura está fixado nos 40 cm, devendo os peixes mais pequenos ser devolvidos vivos à água;
  • A venda ou a oferta para venda é estritamente proibida;
  • A pesca é interdita entre 15 de Maio e 15 de Junho.
Seria muito bom que as nossas autoridades conseguissem perceber realmente a lógica da pesca desportiva e aproveitassem os bons exemplos que já existem ao invés de criarem legislação apenas preocupada com a aplicação de multas, limites e restrições sem qualquer fundamento científico.

Consultem o site www.cfb.ie