terça-feira, maio 22, 2007

Spinning nocturno: à procura dos robalos (1)

Qualquer pescador sonha com a captura de um bom exemplar, daqueles que levam o material ao limite e elevam os nossos níveis de adrenalina. Pois esses exemplares não são impossíveis, estão ao alcance das nossas amostras e muitas vezes a noite é a nossa melhor aliada para os capturar.


É bem possível que a maior parte dos adeptos da pesca com amostras considere que à noite não seja possível pescar ou que se torne demasiado complicado trabalhar as amostras sem ter uma visibilidade perfeita das mesmas de forma a conseguir controlar os seus movimentos e as suas reacções. Na verdade, as coisas são bem diferentes e torna-se possível não só pescar com amostras como também obter excelentes capturas, como já o podemos comprovar na prática.

O conhecimento do pesqueiro e a capacidade para saber ler o mar, acabam por ser os factores mais determinantes neste tipo de pesca, devendo o pescador dedicar algum tempo para a observação do mar e da zona onde irá pescar. Para ter esse conhecimento nada é melhor do que observar as praias na maré vazia, ver onde estão as rochas, ver a sua forma, se estão mariscadas ou não, se têm ou não tendência para prender as nossas amostras. Detectar onde estão os caneiros, ver por onde escoa o mar a água para perceber onde estará o peixe à espera do alimento, ver onde se encontram os fundões e as coroas de areia, ver se estas se movimentam e qual o sentido em que se deslocam.

Esta observação deverá ou poderá ser complementada com a tomada de referências terrestres que nos permitam depois saber com alguma certeza para onde estamos a lançar a nossa amostra pois disso irá depender o sucesso das nossas pescarias. Podemos e devemos aproveitar o dia para ir “explorar” as zonas de pesca onde iremos pescar à noite, para perceber com exactidão onde conseguimos fazer os nossos lançamentos, ver como o mar trabalha com a nossa amostra e até a velocidade de recuperação que devemos adoptar para a colocar no local que faz a feição para dar peixe. Se isto vos pode parecer preciosismos, podemos assegurar-vos que são eles que fazem toda a diferença quando vamos pescar de noite e até de dia.

É esta percepção que temos dos pesqueiros que permite depois toda aquela sensibilidade no lançamento e na recuperação que fazem com que determinado pescador pareça ter sempre mais alguma coisa do que o companheiro do lado. Esse factor, a que muitos até chamam de sorte, conquista-se com a persistência e com a dedicação a esta pesca que tanto tem de apaixonante como, por vezes, de desesperante. E nesta modalidade isto faz mesmo toda a diferença.

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