segunda-feira, julho 16, 2007

A velocidade de recuperação

A velocidade de recuperação é um elemento fundamental na pesca do corrico, tanto mais que o robalo não é um peixe que aprecie sobremaneira as correrias e como tal não irá atacar uma amostra que passe demasiado rápido pelo seu campo de acção. A definição da velocidade de recuperação é dos aspectos mais intuitivos desta técnica e apenas com a experiência vamos adquirindo a sensibilidade e o tacto para encontrar a melhor velocidade para as condições em que pescamos.

Devemos ter igualmente em consideração o fundo em que pescamos. Se estivermos numa praia de areia, podemos “brincar” mais com a recuperação, levando a amostra a bater no fundo, parando e depois voltando a recuperar. Uma recuperação muito lenta seguida de momentos mais rápidos produz resultados muito efectivos, porque muitas vezes o robalo vem a perseguir a amostra e só a ataca quando esta, por via do seu comportamento ou de alguma coisa provocada pelo pescador, lhe provoca os instintos. Quantas vezes não temos os toques quando aceleramos para retirar a amostra da água? Ou então quando paramos de recuperar e depois iniciamos uma recuperação rápida durante uns segundos? Em zonas de rocha temos de ter uma recuperação mais rápida senão corremos o risco de perder muito material, mas em algumas ocasiões esse risco acaba por compensar, pois os grandes exemplares estão em zonas rochosas, em caneiros que levam na corrente alimento. Devemos procurar então um meio- termo, indo pesquisando o fundo e percebendo onde podemos recuperar mais lentamente. Uma boa solução será passear pelas praias nas marés vazias, especialmente naquelas de lua, que permitem adquirir uma excelente perspectiva das rochas existentes. Um outro truque, algo mais difícil, é procurar, junto dos mergulhadores, informações sobre as regiões. Podem estar certos que as dicas deles serão fabulosas para saber onde poderá estar o peixe. Nada dá mais prazer do que conseguir perceber o fundo em que pescamos e conseguir imaginar onde o peixe irá mais naturalmente picar e isso acontecer na realidade. Levar um robalo a picar pela acção da amostra, da velocidade da recuperação, pela acção da cana, é uma sensação única que nos permite dizer com alguma propriedade que o corrico, não é, como alguns referem, pouco mais do que lançar uma amostra para dentro de água e ir recuperando até que alguma coisa pique. A sensação de tirar um robalo de 4 kgs, numa praia ao fim da tarde, num momento em que estamos apenas nós e o mar, é algo que aconselho a qualquer pescador… trabalhar o peixe e depois apreciar a nossa recompensa ali na areia é uma verdadeira arte!

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