terça-feira, outubro 20, 2009

O Inesperado Crash Test!

No dia 1 de Outubro, aproveitei a tarde livre e a desculpa de ir testar um novo pesqueiro e fazer uns lançamentos para me habituar à cana nova (uma Lucky Craft ESG I, Obrigado Alexandre e Anacleto!) e para ir até a um pesqueiro do Tejo, bem perto da minha casa, onde ainda não tinha lançado umas amostras.

Estava um calor abrasador, húmido, digno dos trópicos, e não se sentia a minima aragem.
A superfície do Tejo era um autêntico espelho.
Apanhei a maré cheia no seu ponto máximo e a sua viragem para a vazante, então decidi bater uma zona de baixios (que ficam totalmente destapados na maré vazia) de fundo de areia/lodo, mas que naquele dia tinham uns bons 2 ou 3 metros de água.

Curioso para sentir a cana a trabalhar amostras de superfície, monto uma Lucky Craft Gunfish 115 de cor Chart Back (branca com o dorso chartreuse).

Fiz uns quantos lançamentos de teste, e fiquei bastante contente com a facilidade de lançamento e manejo da amostra.
Lançou a Gunfish "nas horas" e transmite o minimo toque de pulso à amostra, dando-lhe uma animação perfeita.

É uma cana perfeita para vinis, amostras de superfície e amostras que façam pouco atrito na água como a Daiwa Saltiga, ou as Duo Tide Minnow Slim.
No entanto, com amostras mais pesadas, ou que agarrem muito a água, como a Lucky Craft Flashminnow 130 MR a cana já entra em esforço.

Depois de um lançamento que saiu bastante bem, lembrei-me de uma "técnica" usada na zona da Ilha de Faro e na Foz do Arelho e experimentei deixar a amostra ser levada pela corrente vazante, para atingir uma distância maior e para depois, durante a sua recolha, cobrir uma área mais abrangente.

Começo então a animação com pequenos toques de ponteira e uma recolha a velocidade "média" intercalada com algumas pausas de alguns segundos.
A Gunfish trabalha aos zigue-zags (walk the dog) e com "pop's" que agitam a superfície da água.

Quando a amostra estava a cerca de uns 15 metros de mim faço uma pausa pois pareceu-me ter ouvido o telemóvel tocar.
Jogo a mão ao bolso, vejo que afinal não tinha sido nada e volto a recolher, passado duas ou três maniveladas vejo a superfície da água junto à amostra agitar-se e a amostra a desaparecer, literalmente!

Começa então a luta! O peixe dispara com um arranque fortíssimo, levando-me bastante fio.
"É um robalo grande" pensei eu para mim.
No entanto não estava a sentir as habituais "cabeçadas" tão características dos robalos.
E o peixe não cedia, levava-me o fio continuamente em longas corridas, para por alguns segundos, e quando parada não cedia.
Voltava então a arrancar como um pequeno comboio.

Foi então que me comecei a aperceber, que talvez não fosse robalo, e fosse uma corvina! Senti o coração a bater mais depressa, "Uma corvina à superfície? Ora aí está uma novidade para mim!" Pensei eu.
Concentrei-me em tentar tirar o peixe.

Tinha a noção que aquela cana não era para peixes daquele calibre, apesar de sensível a cana já tinha tirado nas mãos do Alexandre Alves robalos de 6 kilos de peso e uma corvina de 8 kilos, mas eu sabia e tinha sido avisado, que com esta cana tinha que ter algum cuidado extra a trabalhar um peixe grande.
Claro que nem tinha posto a hipótese de apanhar uma corvina.

Tinha o drag relativamente solto e apenas o fechei alguns "cliques" pois não queria forçar a cana, nem fazer nenhuma asneira.
A cana estava bem dobrada, e aos poucos fui-me apercebendo que talvez esta corvina fosse maior que as a que eu estava habituado, ou pelo menos, estava a bater-se com mais força.
Naquele pesqueiro tinha algum espaço e podia dar-me ao luxo de deixar o peixe correr, o meu único receio era se ele corre-se para o fundo, e corta-se o fio nos ostrais, e facto de estar a usar Power Pro 0,15 mm + Seaguar AbrazX 0,33 mm também não me dava muita confiança para abusar da sorte.

Subitamente, parou.
Parou de correr, mas não cedia, não me deixando recuperar alguns metros de fio.
Olhei para a bobine do carreto, estava a cerca de 1/3 da sua capacidade, tinha muitos metros de multifilar na água, e muita coisa poderia correr mal.
O peixe ali estava, parado, longe da margem.
Aguentou-se assim cerca de um minuto, comecei a desesperar e a pensar que se tivesse enrolado num cabo ou bocado de rede, que por vezes são arrastados para os bancos de ostrais pela corrente, se esse fosse o caso, nada feito.

Começo então a sentir o peixe a ceder, recolho então com cuidado (estava preocupado com a cana, com o fio, bem, com tudo!) com um movimento de "bombear", para o trabalhar da cana faça o seu papel a "matar" o peixe.
E assim fui recolhendo e recuperando os metros que tinha perdido de fio, por vezes o peixe disparava de novo, mas os arranques eram muito mais curtos que os iniciais, e rapidamente me deixava tomar a iniciativa.

Finalmente, noto o multi a entrar na água já perto da margem, faço um "bombeamento" mais amplo com a cana para puxar o "bicho" para cima, lá vem ele ao de cima.

Era mesmo uma corvina, e um pouco maior que as que já tinha apanhado, consegui mante-la ao de cima, já estava derreada, e quando veio à superfície ficou de "barriga para o ar".
Se tudo corre-se bem já não arrancaria mais, mas nunca se sabe! Nenhuma "desgraça" tinha acontecido até ali e eu não gostava nada de perder o peixe por ter pressa já tão perto da margem.

Deparei-me com uma problema, estava completamente sozinho no pesqueiro (o que não é nada normal pois o pesqueiro é muito frequentado).
Estava a pescar em cima de um empedrado, e por a maré ainda ter bastante água, se por ventura a corvina afunda-se junto à margem, o fio roçaria no empedrado e *desgraça*.

Só vi uma solução, entrar pela água até à barriga, e meter-lhe o "grip" na boca.
Assim fiz, com calma tirei o telemóvel do bolso (já queimei um por banhos na pesca...), e lá fui eu.
Desci o empedrado, molhei-me até à cintura, e com algum jeitinho e sorte, grip na boca da corvina!
Subir o empedrado com a cana numa mão, e uma corvina na outra fui um desafio considerável :)

Depois de subir o empedrado, pesei-a com o "grip", acusou 15 kilos!
Fiz a minha pequena grande festa sozinho!
Apoiei o telemóvel num pilar, disparo automático e lá tirei umas fotos, a qualidade não é muita mas com a adrenalina ainda toda a correr, nem vi se tinham ficado bem tiradas!
Cá vai!



O detalhe da amostra usada:


Dias melhores que este são impossíveis! Testa-se um pesqueiro, testa-se uma cana nova, apanha-se pela primeiro uma espécie à superfície e ainda se bate o recorde pessoal!

No entanto nem tudo é um mar de rosas, lá tive eu que telefonar ao meu pai para me vir ajudar, e o trabalho que dá arranjar um peixe destes? Não tem espinha! Tem osso! :)

Se a sorte continuar do nosso lado, até ao próximo Crash Test da equipa Robalos nas Ondas!

PS: Peço desculpa por só agora colocar este post, mas só agora me devolveram o cabo de passar as fotos do telemóvel para o computador.


9 comments:

Jose Valle disse...

Bonito relato, espectacular captura.
Enhorabuena y un saludo.

Pedro batalha disse...

Boas Pedro
Muito bom, são esses momentos que fazem a pesca suar a magia.
Parabéns pela bela captura.

Abraço

Antonio disse...

Bem! o que é que se pode dizer? é o poder de um Jedi...
Magnifica captura.
E que a "força" continue contigo!

Cump.
António Pardal

Milton Morais disse...

Parabens amigo Pedro,
É a chamada estreia em beleza :)

Cumprimentos,

MR disse...

Bem, ó Pedro agora não queres outra coisa, tens lhe dado bem nas Corvinas.

Parabens por mais essa captura

grande abraço

Spinn Master disse...

Ganda peixinho...

Boa técnica ás vezes tb a utilizo com a minha sogra....deixo-a ir durante algum tempo depois recupero-a... hehehe

Boa captura sim senhor, digna dos arquivos Jedi ! ;)

Que a força esteja ctg.

Pedro Russo Baião disse...

Obrigado pelos comentários pessoal!

Realmente esta técnica é capaz de ser boa para cansar as sogras!

Cumprimentos!

Gouveia disse...

Pedro,

se te lembras de libertar um peixe ai ai, levas com o titulo de Gran Mestre do spinning....

Antonio Gouveia.

Pedro Russo Baião disse...

Gouveia, já libertei algumas, a maior que libertei tinha 9 kilos.

E não foi libertação "forçada" com direito a piercing, foi mesmo Release ehehe.

Um abraço!