quinta-feira, março 07, 2013

Jigging Profundo - Uma opção de Inverno

Boa noite a todos.
Nesta entrada irei falar das últimas saídas ao jigging que tive o prazer de realizar nos meses de Janeiro e Fevereiro deste ano de 2013.
Apesar de o tempo não ter sido do mais favorável, como é natural nesta altura do ano, das vezes que conseguimos sair e apanhámos o mar calmo e pouco vento decidimos apostar em pescar mais fundo que o habitual, nomeadamente entre os 100 e os 200 metros de profunidade, por vezes até um pouco mais.
A razão desta escolha prende-se com o facto do ano passado termos tido bons resultados a pescar a esta profundidade nesta altura do ano, com temperaturas da água do mar muito similares, na ordem dos 12ºC/14ºC.
Procurámos fundos mistos e de vaza, com inclinações acentuadas, onde a corrente possa embater contra as paredes ou os declives do fundo, criando zonas de atracção para possíveis predadores.
Normalmente ao zagaiar propositadamente a profundidades maiores que 100 metros usamos jigs de 200 gramas e superiores, simplesmente devido à deriva que por vezes é  bastante acentuada.
Torna-se necessário um jig que profundize rapidamente e que nos permita pescar à vertical o mais possível, caso contrário iremos fazer muitas recolhas quase horizontais em relação ao barco, devido à deriva que nos leva para longe do ponto inicial de onde deixámos descer o nosso jig para o fundo. Para além de extremamene cansativa e desagradável, ao recolher o jig quase na "horizontal" acabamos por não o conseguir animar devidamente.
Pescando no profundo, regra geral gostamos de insistir nos primeiros 10/20 metros mais perto do fundo, deixando o jig embater contra fundo primeiro.
A estas profundidades existem muitas espécies que podem atacar os nossos jigs, e pessoalmente fico sempre na expectativa, pois pelo menos para nós, as surpresas a nível de espécies têm sido algumas.
Uma das espécies mais comuns que temos encontrado é o peixe espada branco ( Lepidopus caudatus, achamos nós...) e é essa que temos tentado com mais regularidade.
No entanto por vezes apanhamos outras espécies junto ao fundo, como cantaris, e mesmo o humilde carapau, que já tem atacado os nossos jigs bastante fundo.


Mário Rodrigues com um exemplar de bom tamanho, bem vísivel o promenor da dentição.
 Quando zagaiamos aos peixes espada usamos normalmente jigs longos, finos e pesados, devido ao que referi acima, equipados um assist hook com anzóis de bom tamanho podendo este ser complementado por um segundo assist curto na cauda do jig ou um single hook simples, para aumentar o ratio de ferragens.
Os jigs curtos e largos também resultam, no entanto preferimos os long jigs por regra geral afundarem melhor.
Temos constatado que os "espadas" formam cardumes de bom tamanho, e quando ferramos um normalmente seguem-se várias capturas a bom ritmo, apesar de por vezes estarem localizados em áreas muito definidades, numa margem batimétrica por vezes de 10 metros, quando assim é, é muito útil a utilização de um multifilar com marcação colorida de 10 em 10 metros (ou similar), para além disso somos obrigados a corrigir bastante e a realizar várias derivas, senão corremos o risco de pescar no vazio e em vão.
Em relação às animações, apanhámos esta espécie tanto pescando rápido e com toques curtos, como pescando lento e com toques de maior amplitude e maios espaçados entre sí.
Pessoalmente gosto de uma animação lenta, com toques sincronizados com o movimento da manivela do carreto e a cana encaixada debaixo da axila.

Pedro Santos com um exemplar excelente de mais de 5 kilos sendo o regular cerca de 2 kilos.
A esta profundidade estão muitos metros de multifilar dentro de água, a poupança de energia e dos nossos músculos é vital se queremos pescar efectivamente várias horas consecutivamente.
Temos tido resultados com várias cores, desde azulados aos prateados, e com cores naturais que imitam cavalas, carapaus e sardinhas.
Mais uma vez pessoalmente prefiro as cores "glow" fluorescentes, e tenho tido bons resultados com elas.
Infelizmente estes peixes não são lutadores explosivos ou de resistência como os lírios por exemplo, ou os serras, no entanto os exemplares grandes fazem bastante resistência, especialmente ao ínicio da luta, e é necessário aplicar força até os conseguirmos começar a "bombear" estes peixes, após essa dificuldade inicial é uma questão de manter o ritmo e a força, mas como estamos a pescar bastante fundo torna-se uma luta desgastante especialmente se capturarmos vários exemplares num curto espaço de tempo.
As canas devem ter capacidade para animar jigs de 300 gramas ou mesmo mais podendo já ser consideradas canas de jigging pesado, não pelas qualidades de lutador que estes peixes têm, mas porque com canas mais ligeiras e que até poderiam benificar esta espécie em termos do valor desportivo da sua luta, torna-se muito díficil animar as zagaias pesadas tão fundo.
Para os carretos, muita resistência é necessária pois é uma pesca de desgaste, a meu ver no mínimo um tamanho 8000 (Shimano) ou 6000 (Daiwa).
Curiosamente somos obrigados a usar leaders de fluocarbono grossos (50 lbs ou mesmo mais), pois estes peixes têm a péssima tendência em morder o leader e é frequente perder-se jigs subitamente, o que é facílimo de acontecer se pescarmos com leaders mais finos.
Quando estão muito encardumados por vezes até atacam o próprio multi, o que é desastroso para nós e para o nosso stock de jigs, split rings, anzóis, etc....


Pedro Santos com o promenor do teaser utilizado no assist hook.









Graças ao Pedro Santos, ávido praticante de jigging e spinning, descobrimos que a utilização de pequenos teasers nos assist hooks, geralmente um polvinho de silicone, aumenta significativamente o número de ataques vs um anzól simples.

António Gouveia com mais um bom exemplar.






A grande maioria das vezes encontramos estes peixes a partir dos 100 metros, curiosamente, nos dias de água mais fria (12,5ºC e 13ºC) foram os dias em que os encontramos  suspensos a menores profunidades, acima dos 100 metros.
É uma pesca diferente mas divertida, e que com algum esforço de procura em relação a locais com as características adequadas pode resultar em dias de muitas capturas.
O nosso País tem uma costa tão vasta, e existem imensos sítios onde provávelmente nunca ninguém largou um jig, quem sabe o que se poderá apanhar? E quantas vezes não se experimentam técnicas por se partir do pressuposto que não existem espécies adequadas para essas mesmas técnicas resultarem?
Um muito obrigado ao Pedro Santos (http://pescaemsintra.blogspot.co.uk/), Mário Rodrigues e António Gouveia pela vossa companhia, amizade e fotos, grande abraço amigos!

A.G e "yours trully" com uma dupla captura, comum quando se descobre um cardume de boas dimensões.

Até ao próximo lance, ou drop
Desde terras de Sua Majestade
Mas sempre junto à água

Pedro Russo 

 

1 comments:

Gouveia disse...

Qui é que se vê quem é que apanha sempre o peixe grande :-)