Quarta-feira, Novembro 25, 2009

Quando o tempo ainda era quente...

...eu e o Alexandre fomos fazer uma pesca à noite, num dos primeiros dias de Outubro, em que os dias ainda eram amenos.

O nosso objectivo eram os robalos.
Eu pesquei com vinis montados com cabeçotes de vários pesos e o Alexandre com vinis e swimbaits rígidos.

As horas iam passando e nada, nem um toque ou algo que se assemelha-se.

Até que por fim vejo a cana do Alexandre bem dobrada e o silvo do drag do Twinpower 4000 FA a disparar.

Corridas longas e fortes, com paragens de "colar ao fundo". Rapidamente nos apercebemos que era uma corvina que estava ferrada.

Depois de alguns minutos e de uma verdadeira lição ao vivo e a cores de como trabalhar um peixe grande e combativo usando o conjunto cana + carreto, eis que por fim se dá terminada a luta depois de o Alexandre encalhar o animal e lhe jogar o "grip".


Depois de pesada marcou 14 kilos na balança analógica.
Ficou demonstrado como a potência de uma cana não se reflecte directamente no seu casting weight.
O Alexandre usou uma Lucky Craft ESG II de 2,70 m, de acção extra rápida e com um c.w. de 10-30 gramas, no entanto mais uma esta cana provou ter um blank poderoso que ajuda a controlar e a cansar um peixe de dimensões consideráveis.

Também é da minha convicção que uma cana de spinning dita "normal" (pensando nos 3 metros, de acção rápida ou médio-rápida, como por exemplo a Shimano Speedmaster, Sakura Shukan e Illex Estuary) também é capaz de combater um peixe deste calibre, desde que se tenha espaço para o cansar e se tenha calma, confiança e conhecimento no que se está a fazer.
No entanto, acredito que ao nos aproximar-mos da marca dos 20 kilos, pescando de terra, já é necessário usar-se material que nos dê mais control sobre o peixe.



A amostra utilizada foi um vinil Xorus Rolling Shad, na fantástica cor laranja com um cabeçote da Xorus de 20 gramas (não me recordo do modelo).


Entretanto eu procurava sentir algum ataque.
Montei um Zoom Super Fluke branco num cabeçote Storm Lip Weight de 15 gramas e lancei para uma zona de corrente.



Deixei o vinil afundar, e depois de o sentir a tocar no fundo inicei uma animação em "dentes de serra" recolhento com um toque seco com a ponteira da cana ao alto e seguido de uma pausa, para a amostra subir rapidamente e descer de novo até ao fundo, descrevendo assim um zig-zag na vertical.

Quando a amostra estava a meio caminho entre mim e o local onde estava a trabalhar, ao dar o "esticão" para a amostra subir sinto um impacto súbido.
Tinha ferrado algo, o que é curioso porque normalmente ao pescar com este tipo de animações sinto os ataques quase sempre durante a queda da amostra para o fundo.

A luta iniciou-se com várias cabeçadas rápidas e desconcertadas até que passado alguns segundos pararam e deram lugar a uma longa corrida de força.
O peixe seguia a favor da corrente, e a linha ia saíndo do Twinpower 4000 FB a uma velocidade considerável, com aquele som de drag sobre esforço que todos nós gostamos de ouvir.

Estava a pescar com Power Pro de 15 libras (0,19 mm) + baixo de fluorocarbono Seaguar ACE de 0,37 mm e com um snap clip terminal da Owner de 47 libras, o que é um pouco mais "grosso" do que o que normalmente uso, e como tal tinha o drag relativamente fechado.
Toda a linha que o peixe levava, era levada com o dispêndio de esforço e de energia da sua parte, no entanto o drag estava regulado para ceder linha antes de tanto o multi como o fluorocarbono entrar em risco de ruptura.

Estava claro que era outra corvina que se tinha ferrado, a corrida inical parou e o peixe "sentou-se" junto ao fundo.
Utilizei uma Shimano Speedmaster AX Jigging/Jerking, uma cana curta e potente, que considero perfeita para este tipo de pescas, seja de robalos ou das possíveis corvinas.
Quando o animal se "colou" junto ao fundo fui forçando com a cana e com a mão a controlar, fazendo força para cima, para este "descolar".

O que aconteceu, repetindo-se mais uma corrida de muitos metros e de muita força, onde me restou agarrar na cana ao alto, e esperar que o drag do carreto e o blank da cana começassem a fazer o seu papel a "matar" o peixe.

Passado alguns minutos comecei a sentir uma diminuição de força do peixe, agora deslocava-se na minha direcção à medida que eu ia "forçando".
À medida que recuperava a linha perdida o peixe ia-se aproximando cada vez mais de mim, por vezes dava uma corrida ou outra, mas nada comparavéis às corridas iniciais.

No entanto estes animais são bichos imprevisiveis, e quando já a tinha bem perto de mim, deu uma última corrida cheia de força e foi por um triz que não levou a linha a uma zona com uma grande rocha submersa, ainda senti o fio a roçar em algo (que felizmente para mim não partiu)....ficou a lição prática de nunca substimar um peixe nas partes "finais" da luta (lição que eu próprio já tinha aprendido, mas em alturas destas por vezes a adrenalina tolda-nos um pouco as lições aprendidas).

Finalmente, passados quase 10 minutos, a corvina vem ao de cima, de barriga para o ar.
Agora eu tinha quase a certeza que me tinha "safo".
Depois de a encalhar a seco, o meu amigo Alexandre jogou-lhe o grip e colocamo-la em segurança....


Depois de erguida e pesada na balança analógica marcou 18 kilos.


Obrigado Natureza por estes momentos.
Durante o Verão libertei várias "rabetas" de 2, 4, 6 e 8 kilos, tenho a crença que essas atitudes são mais tarde recompensadas em momentos como este!

Até ao próximo lance!

Pedro Russo, member of Robalos nas Ondas Argyrosomus Regius Division.

Mar...Liberdade!



Esta foto que me tiraram a mim e à fantástica paisagem que se vê, no ínicio deste Verão, que infelizmente já lá vai, representa para mim o que a pesca, e especialmente a pesca "itinerante" com amostras tem de melhor: - A sensação de Liberdade.

Palmilhar areais, rochas e rochedos, caneiros, lajões, falésias e até cidades, paisagens secretas que poucos têm a sorte de ver com os olhos de quem mistura água,areia, rocha e às vezes até um pouco de betão, poucas coisas me fazem sentir tão em paz e livre do que fazer parte de uma paisagem como a que partilho convosco, nem que seja só por breves momentos.

Terça-feira, Novembro 17, 2009

Mares Revoltos

Aqui na zona da Nazaré costuma-se dizer que  está um "mar cão" para aqueles dias de mar mais revolto como neste passado fim de semana. Deixo-vos algumas fotos da força deste mar que tanto amamos e que nos dá a alegria de poder pescar ao robalo.

As fotos foram tiradas a partir do Farol da Nazaré olhando para Norte, exactamente para a chamada Praia do Norte. É impressionante a força do mar neste sítio, formando-se, por vezes, verdadeiras montanhas de água que nada poupam à sua passagem.






Sábado, Outubro 31, 2009

Uma coisa louca pela pesca

Uma das coisas mais loucas que fiz pela pesca foi, durante um fim de semana em que já tinha gasto todos os chamados “créditos” para ir à pesca, no domingo de manha, não resistindo ao apelo dos robalos, me levantei pelas cinco da manhã muito sorrateiramente e lá fui para a praia lançar as minhas amostras.
Depois de uma Sexta e um Sábado em que fui à pesca de manhã, à tarde e até à noite, na madrugada de Domingo lá fui eu, novamente, à procura deles. A manhã estava fria e custou-me a sair da cama, mas mesmo assim, peguei na roupa que ja tinha deixado preparada de vespera, comi qualquer coisa rápida e, como as coisas ja estavam no carro, foi so arrancar.

Chegado à praia, o mar estava de feição, mas os robalos teimaram em não aparecer ou em querer pegar nas minhas amostras...pelas oito como não tinha tido sequer um toque decidi regressar a casa. Quando cheguei reparei que estava tudo ainda a dormir e aproveitei para tomar um banho e enfiar-me novamente na cama...ainda dormi um bom sono e fui à pesca sem ninguem dar por ela.

Isto ainda era nos tempos em que tinha coragem para me levantar cedo... agora já é bem mais dificil!

Quinta-feira, Outubro 29, 2009

"Shashimi" anyone?

Aproveitando a pausa de alguns minutos da verdadeira tempestade de trabalhos de índole académica e prazos impostos insolentemente curtos e sem qualquer consideração holística, conceito com o qual tanto nos bombardeiam durante estes quatro anos de curso, pelo todo que é o estudante de enfermagem...sento-me e descontraio nesta singular forma, que é escrever um post no blogue do qual me orgulho de fazer parte juntamente com três grandes amigos.

Se pensam que irei falar de amostras, canas, técnicas, peixes grandes ou pequenos enganem-se, hoje é um post diferente.

Como alguns de vós sabem tenho uma enorme paixão (e gulosice) por cozinha japonesa, em especial por sushi e sashimi.
Gosto bastante de ir ao restaurante(s) na companhia da namorada, família ou de amigos (da pesca ou não) provar o meu quinão de sashimi de maguro (atum), robalo ou salmão.

Há uns meses tentei magicar o meu "sashimi" caseiro (uso aspas, pois não se compara a um verdadeiro sashimi, especialmente no que toca à apresentação).
Considero-me um aspirante de cozinho com muito pouco jeito e habilidade, e sobretudo experiência, no entanto penso que tenho alguma dose de "coragem".
A aventura até nem correu mal, pelo menos "sashimi" caseiro, feito com um robalo apanhado por mim até nem sabia mal, claro que a apresentação...isso é outra história.

Desde então tenho feito a aventura mais vezes, e hoje decidi partilhar convosco algumas fotos de uma dessas aventuras gastronómicas.

Seleccionei um robalo com um tamanho que me pareceu simpático para o efeito, e fiz-lhe dois filetes "à maneira" (sem pele).
Deixo-vos aqui um video que explica bastante bem como filetar um robalo.



Aqui está uma foto de um dos meus filetes (já cortado ao meio), é importante usar uma faca bem afiada,eu tenho usado uma da Rapala, não é das melhores, mas desenrasca:



Depois cortei o filete em pequenas tiras, mais ou menos da grossura de um dedo:


Como podem constatar, o jeitinho não é muito.

Há quem goste apenas do peixe juntamente com o arroz, como servem nos restaurantes (sashimi e sushi), mas eu gosto do sashimi mesmo sem o "rolo" de arroz, apenas a tira de peixe.
Acompanhei com um salteado de legumes "oriental", com rebentos de soja, alga, etc.
Claro que para mim, a tacinha com molho de soja é indespensável, assim como o wasabi (picante) que infelizmente eu não tinha em casa, como tal, foi servido com o salteado de legumes e apenas com a soja.



Não me considero bom cozinheiro, nem aceitável sequer. Este post não é tem o objectivo de ensinar a fazer, pois eu próprio ainda estou na fase mais que inicial nesta área.

Se querem aprender a fazer sashimi ou sushi (com arroz e tudo o resto) à séria, falem com Alexandre Alves, que ele é que é o Sushi-Ya aqui do sítio.

Apesar de muitos poderem discordar, para mim sashimi ou sushi é das melhores mortes que se podem dar a um robalo, e gostos não se discutem!

Até à próxima, e vai ser sushi ou sashimi?